Música... a forma de expressão com a qual certas criaturas abençoadas do mundo
conseguem passar o que sentem para outras criaturas, também abençoadas, que sabem ouvir.
Acho que isso é minha definição de música mais simplória... E música é assim... divertido
e massa de fazer!
O blues é minha música, minha forma de expressão. Cresci ouvindo blues, ao contrário
da maioria das pessoas e obviamente desenvolvi um sentido apurado do que possa se dizer
um gosto musical pelas canções de lamentações dos negros.
Acho que há muito tempo foi só o que eu sabia fazer direito, o que me rendeu diversão com
muitos amigos, conhecer muitas pessoas e tocar com pessoas que realmente posso dizer,
fazem parte daquilo que sou.
Não tenho coragem para definir o blues. Ele apenas existe e está dentro de mim.
Na verdade, todo mundo tem o blues, mas muitos não sabem disso.
Posso dizer que o mais completo que fiz está perdido para todo sempre nas noites que
tocamos em butecos pela estrada. Era daquilo que eu gostava... Cheguei a gravar um disco,
com minha antiga banda chamada
Jeannie Magic Blues, mas a estrada,
as noites, o improviso, sempre igual e sempre diferente... aquilo sim era o blues.
Conhecer lugares onde alguns não teriam coragem de entrar, tocar para duas ou três pessoas,
fazer as pessoas não compreenderem o que estáva acontecendo... Era disso que eu gostava!
Hoje só me resta aceitar aquilo que já sei há algum tempo: neguei meu talento e afundei-me
em minhas próprias lamentações. Não tenho mais a virtude que tinha pois hoje sigo à margem do
caminho, como um moribundo que desdenha sua própria vida...
Hoje sei o que perdi, o que ficou no passado e o que não volta mais. Não tenho o que fazer além
de descobrir o que realmente é o blues. Hoje eu tenho o blues...
A bateria foi o instrumento que mais me atraiu, mesmo que antes de tudo isso eu preferisse contra-baixo. Bom, mas isso é pré-histórico e eu nem mesmo tocava. Devia ter uns 15 anos, quando tinha uma afinidade com o contra-baixo. A verdade é que a bateria venceu, quase que por um acaso do destino. Foi no dia que fui visitar um amigo (Cristiano) e eles estavam tocando... Só que havia um detalhe: não havia baterista! Ao que conta a história, o sujeito que deveria tocar não conseguiu se "coordenar" e largou fora... A frase foi "senta aí e vamos ver no que dá!"
Conclusão: a bateria merece um capítulo!
O fato é que durante todo esses anos tocando e dando canjas, sempre
prezei por ser discreto e acompanhar àqueles com quem toquei com a maior fidelidade...
tnx to Lu Stoll (pictures) - Eu e Urânio (Sax)
O jazz agora vive dentro de mim nas horas de folga... ele te consome quando sua mente não está tranquila, com seu ritmo esfuziante e escalas incompreensíveis aos ouvidos dos comuns. É o jazz que surge do caos da modernidade.
Nunca irei esquecer do dia em que conheci ao vivo o que só havia tido oportunidade de ouvir em discos. O som do trumpet!
Mágico... tanto quanto o blues, que me proporcionou esse encontro. No princípio, encabulado, mas cheio de oportunidades!
Conheci duas grandes pessoas nesses dias: Luciano e Ramiro! Duas grandes figuras, trompetistas de estirpe, que me mostraram que
o jazz é acessível aos meus ouvidos! Junto deles, conheci o Geraldo, grande baterista de jazz, que me presenteou com uma mini
washboard, uma pequena "tábia de lavar roupas" a partir da qual era tirado o som de percussão.
Todo dia agradeço pelo nosso encontro e espero vê-los novamente! Mas nesse dia, quero não ter negado minha natureza e quero poder tocar junto!
Nessas horas penso como fui tolo!
Foi assim que o blues começou e foi assim que ele terminou. Infelizmente a página da Jeannie deve estar fora do ar ou no mínimo bastante desatualizada. De fato, a banda já não existe mais...
Para conhecer meu trabalho como baterista, acesse os sons gravados entre 1999 e 2000. Faz um tempo, mas blues é sempre bom e não envelhece.